A centralidade da Internet das Coisas (IoT) para a indústria foi destacada pelo presidente da Associação Brasileira de Semicondutores (ABISEMI), Rogério Nunes, durante evento que discutiu o tema, no dia 07 de agosto, em Porto Alegre. Conforme ele, levantamentos sobre o assunto mostram que dentro de poucos anos a indústria representará mais que o dobro das conexões de IoT e as oportunidades estarão focadas principalmente nos setores de manufatura, saúde, transportes e agricultura.

De acordo com essas prospecções, até 2025 a IoT poderá impactar a economia mundial entre US$ 2,7 trilhões a US$ 6,2 trilhões e a internet industrial vai responder por 43% da economia global. Além disso, pesquisas também mostram que atualmente já existem cerca de três objetos conectados por pessoa e que em 2020 esse número chegará a sete objetos conectados por pessoa. Estima-se que nos próximos cinco anos já serão 30 bilhões de objetos conectados, ou seja, quatro vezes a população mundial.

Frente a este enorme potencial, Nunes reforçou a importância de fortalecer o setor de semicondutores brasileiro que está na base das soluções de IoT.  Ele acredita que essa é uma grande oportunidade para a indústria brasileira desenvolver localmente soluções e aplicações em diversas áreas demandadas pelo mercado.

“O mercado de IoT será bem fragmentado e customizado por aplicação, por isso, aumentarão os projetos locais que darão maior chance de utilização de  componentes e manufatura locais”, destacou Rogério Nunes. Para isso, no entanto, será fundamental estabelecer parcerias entre empresas de diversos setores a exemplo de semicondutores, sistemas, software e instalação para que uma solução possa ser implementada em qualquer área de IoT.

Outro ponto destacado pelo presidente da ABISEMI é a importância de existirem políticas e marcos regulatórios, como o Plano Nacional de IoT, para regular protocolos locais para projetos voltados a sistemas, criar condições de tornar a indústria competitiva, além de manter os atuais mecanismos de incentivo à indústria de semicondutores.

Ele citou como exemplos o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores e Displays (PADIS), a Lei da Informática e a definição do Processo Produtivo Básico (PPB), entre outros mecanismos de estímulo à indústria nacional. “Precisaremos também de capital e investimentos, por isso, os planos de suporte ao investimento como os disponibilizados pelo BNDES, Finep, EMBRAPII são essenciais”, ressaltou.

Promovido pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII) e pela associada CEITEC, o encontro sobre IoT Industrial reuniu representantes de associações empresariais e entidades ligadas à tecnologia, universidades, empresas fornecedoras de soluções para IoT, BNDES, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), além de empresas demandantes de soluções de IoT dos setores agrícola, calçadista e fármaco.

Indústria de semicondutores

Segundo Rogério Nunes, o Brasil representa cerca de 2,6% do mercado mundial de semicondutores que em 2017 foi da ordem US$ 420 bilhões.  O faturamento da indústria brasileira no ano passado, porém, foi de cerca de R$ 2,8 bi e significou apenas 0,21% do comércio mundial. Ainda assim, emprega cerca de 2,5 mil pessoas e já investiu US$ 2,1 bi em máquinas, infraestrutura de produção, capacitação de recursos humanos e P&D.

 IoT

A Internet das Coisas (do inglês, Internet of Things, IoT) é uma rede de objetos físicos, veículos, prédios e outros (inclusive humanos) que possuem tecnologia embarcada, sensores e conexão e são capazes de coletar, transmitir e armazenar dados.

 Acesse aqui a apresentação feita no evento pelo Presidente da ABISEMI.

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