O assunto foi discutido em audiência pública na Câmara dos Deputados com a participação da ABISEMI

 

11.10.2019

A centralidade do setor de semicondutores para o desenvolvimento econômico e tecnológico do Brasil foi a tônica das discussões realizadas na audiência pública realizada na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados no dia 10 de outubro, em Brasília.

 Representantes do setor industrial, do Governo Federal e de institutos de pesquisa dedicados à área de microeletrônica destacaram que todo o processo de inovação em qualquer segmento industrial, de automóveis a eletroeletrônicos, passa por semicondutores.

 “Nenhum país se tornará desenvolvido sem uma indústria de semicondutores avançada e que contemple todos os elos dessa cadeia produtiva que envolve projeto, fabricação e encapsulamento”, disse na audiência pública o presidente da Sociedade Brasileira de Microeletrônica (SBMicro), Nilton Morimoto.

 Esse setor é a base, por exemplo, para todas as soluções relacionadas à Internet da Coisas (IoT) e à Indústria 4.0, salientou o diretor da Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (ABISEMI), Paulo Afonso Frias Trindade Junior. São os semicondutores que determinam as funcionalidades tecnológicas dos mais diferentes tipos de equipamentos e dispositivos em uso atualmente na sociedade.

 Paulo Junior lembrou que o Brasil dispõe de um parque industrial de semicondutores já instalado que conta com o que há de mais avançado em tecnologia produtiva e em capacidade de design de produtos e processos de encapsulamento de memórias. “A indústria de semicondutores brasileira amadureceu, está consolidada e pronta para um novo round de crescimento”, defendeu.

 Os semicondutores produzidos no Brasil abastecem a maior parte da demanda da indústria local de produtos eletroeletrônicos. Graças a isso, 90% das TVs, 92% dos telefones celulares e 86% dos computadores vendidos no Brasil são produzidos no país de acordo com a Lei de Informática, com o mesmo nível tecnológico encontrado no exterior.

 Segundo o diretor da ABISEMI, o Brasil reúne hoje o maior polo produtivo de componentes e de equipamentos de alta tecnologia fora da Ásia. Fruto das políticas públicas direcionadas ao segmento, especialmente a Lei de Informática e o Programa Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores e Displays (PADIS), a indústria nacional gera  cerca de 2,5 mil empregos diretos altamente qualificados.

 O setor de semicondutores nacional já investiu R$ 370 milhões em atividades de pesquisa e desenvolvimento no país e em 2018 faturou cerca de R$ 3,4 bilhões. Além disso, já investiu USD 2,3 bilhões em bens de capital, infraestrutura de produção, capacitação de recursos humanos e P&D.

 Na avaliação de Paulo Junior, isso contribui para reduzir o déficit da balança comercial em virtude do fornecimento pela indústria nacional de memórias de altíssima tecnologia para PCs, servidores e smartphones. Ele destacou, ainda, que apesar de todos esses resultados, o PADIS corresponde somente a 0,1% de toda a renúncia fiscal federal.

 Além da ABISEMI e da SBMicro, também palestraram no evento o Coordenador-geral de Estímulo ao Desenvolvimento de Negócios Inovadores da Secretaria de Empreendedorismo e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Henrique de Oliveira Miguel; o Gerente do Departamento de Tecnologia e Política Industrial da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Israel Guratti; o Pró-Reitor Acadêmico e de Relações Internacionais Unisinos, Alsones Balestrin; e o Executivo de Tecnologia do Instituto de Pesquisas Eldorado, José Eduardo Bertuzzo.

 Presidida pelo deputado Vinícius Poit, a audiência pública sobre a “indústria de semicondutores e a continuidade dos incentivos ao setor”, contou, ainda, com a participação dos deputados Ângela Amin, Margarida Salomão e Vitor Lippi. As apresentações realizadas na ocasião estão disponíveis neste link e os demais documentos relativos ao evento podem ser consultados aqui.

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