ABISEMI entende que a liquidação da empresa distanciará ainda mais o Brasil do conhecimento de ponta necessário ao desenvolvimento de produtos de alta tecnologia

12.06.2020

É com preocupação acerca do futuro da indústria de alta tecnologia no Brasil que a Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (ABISEMI) recebe a notícia de que o Governo Federal aprovou nesta semana a liquidação da empresa estatal Ceitec, localizada no Rio Grande do Sul, conforme decisão tomada pelo Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos no dia 10 de junho.

A sua liquidação distanciará ainda mais o Brasil do conhecimento de ponta necessário ao desenvolvimento de produtos de alta tecnologia e diminuirá as chances para que possamos reduzir a enorme dependência de produtos importados. O momento em que vivemos é bastante revelador de como é deletério depender totalmente de componentes e produtos importados frente à atual dificuldade na obtenção de equipamentos e insumos essenciais para salvar vidas em meio ao combate da Covid-19 no país.

Também é ilustrativo verificar que a decisão de liquidar a Ceitec ocorreu no mesmo dia em que parlamentares dos Estados Unidos apresentaram um projeto de lei para fornecer mais de US$ 22,8 bilhões em ajuda aos fabricantes de semicondutores, objetivando estimular a construção de fábricas de chips naquele país, em mais uma etapa da rivalidade tecnológica com a China. Disputa que revela, sobretudo, a centralidade estratégica ocupada pela indústria de semicondutores entre as principais potências econômicas mundiais.

Nesse sentido, a Ceitec configura-se na única fábrica que logrou desenvolver um certo nível de capacidade de difusão dos chips no hemisfério sul do planeta, num investimento estratégico feito pelo País nos últimos anos. Ressalta-se que o processo de difusão é a primeira fase da fabricação de uma pastilha de silício e representa na cadeia de produção de chips o processo com maior agregação tecnológica e complexidade, antes das etapas de encapsulamento e teste.

Ao longo de quase 12 anos de atividades, é inegável que a Ceitec desenvolveu capacidade tecnológica e formou recursos humanos que são muito importantes para o País, a exemplo dos inúmeros projetos e patentes na área de circuitos integrados. Sua fundação contribuiu, inclusive, para atração de investimentos estrangeiros ao Brasil neste setor, dando início a novos empreendimentos privados com atuação nacional e consolidando uma cadeia de valor no país neste segmento.

A ABISEMI espera que, apesar da liquidação da Ceitec, todo esse conhecimento não seja de forma alguma desperdiçado e que sejam implementadas atividades capazes não somente absorver os recursos humanos, com muitos especialistas, mestres e doutores, mas que se dê sequência aos processos de desenvolvimento em andamento atualmente na empresa.

Isso é importante a fim de promover e concluir projetos importantes relacionados à indústria 4.0, Internet das Coisas (IoT), entre outros, pois entendemos que recursos preciosos e que exigiram altos investimentos como esses não podem ser simplesmente liquidados junto com a empresa.

Lamentamos que o processo de privatização tenha sido infrutífero, mas a ABISEMI espera que o Brasil continue investindo no setor de semicondutores devido à sua vital importância para a evolução tecnológica, para a inovação, para o desenvolvimento sócio econômico e consequentemente para a vida das pessoas, que usam cada dia mais e mais produtos dependentes de agregação tecnológica de última geração.

 

Rogério Duair Jacomini Nunes

Presidente da ABISEMI

 

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